Copom 2026: calendário completo e como se preparar para as “semanas de juros”

Muita gente acompanha o Copom só no dia do anúncio da Selic. Porém, o mercado costuma “precificar” o resultado antes, […]

Muita gente acompanha o Copom só no dia do anúncio da Selic. Porém, o mercado costuma “precificar” o resultado antes, e é aí que você ganha vantagem. Além disso, quando você se organiza por um roteiro semanal, evita decisões no impulso.

Calendário do Copom em 2026 (datas oficiais divulgadas pelo mercado com base no BC)

As reuniões acontecem em dois dias (geralmente terça e quarta). CNN Brasil+1

Depois da decisão, a ata sai na terça-feira seguinte, às 8h, o que costuma mexer com juros e Bolsa novamente. InfoMoney+1

O que é a “semana de juros” e por que ela importa

Na prática, a semana do Copom é um “evento” de volatilidade. Portanto, quem tem renda fixa, ações, FIIs ou dólar tende a sentir o efeito no preço, mesmo sem comprar nada.

Atualmente, por exemplo, o Brasil vinha com Selic em patamar alto (15% ao ano) e, ainda assim, o mercado discutia quando começariam cortes em 2026. Reuters
Além disso, essas expectativas mudam rápido com inflação, fiscal e cenário externo, então método vale mais do que opinião.

Roteiro de preparação: o que acompanhar antes da decisão

1) De 7 a 3 dias antes: alinhe o “contexto”

Comece olhando o que está direcionando a narrativa do mercado. Assim, você evita ser refém de manchetes do dia.

  • Inflação e expectativas (IPCA e projeções do mercado)
  • Atividade econômica (crescimento, consumo, serviços)
  • Câmbio e commodities (pressão inflacionária importada)
  • Fiscal e política (risco percebido e prêmio de juros)

2) Segunda e terça (véspera + dia 1): identifique o consenso

Em geral, o Copom já começa com o mercado “posicionado”. Entretanto, o que derruba ou puxa ativos é a diferença entre consenso e surpresa.

  • Verifique o consenso (manchetes econômicas e relatórios).
  • Observe a curva de juros (o que o mercado espera para os próximos meses).
  • Compare o tom de falas e sinais (hawkish x dovish), porque isso muda o “guidance”.

3) Quarta (dia 2): decisão e comunicado

Normalmente, a decisão sai ao final do segundo dia. Além disso, o texto do comunicado costuma importar mais do que o “+0,25” ou “-0,25”.

  • Foque em três pontos: balanço de riscos, horizonte relevante e condicionantes futuros.
  • Repare em mudanças pequenas de redação, pois elas alteram a leitura do mercado. Reuters

4) Terça seguinte (ata): a segunda onda

Muitos investidores ignoram a ata. Porém, ela pode reforçar (ou corrigir) a interpretação do comunicado, e por isso costuma mexer com ativos. InfoMoney+1

Como se posicionar sem “chutar” a Selic

Renda fixa: ajuste por prazo, não por ansiedade

Quem erra, geralmente erra no prazo. Portanto, use regras simples:

  • Reserva de emergência: mantenha pós-fixado com liquidez (evite travar).
  • Objetivos de 6–24 meses: diversifique entre pós e prefixado curto, se fizer sentido.
  • Longo prazo: IPCA+ pode entrar, porém aceite marcação a mercado.

Ações: pense em sensibilidade a juros

Juro alto costuma favorecer empresas com caixa e penalizar as muito alavancadas. Além disso, crescimento “lá na frente” tende a sofrer mais com taxa elevada.

  • Se o comunicado vier mais duro, prepare-se para pressão em setores sensíveis a crédito.
  • Se vier mais leve, pode melhorar a leitura para varejo, construção e tecnologia, dependendo do contexto.

FIIs: atenção ao IFIX e ao risco de carrego

FIIs reagem ao custo de oportunidade. Assim, Selic elevada tende a exigir prêmio maior, pressionando preço; por outro lado, qualquer sinal de corte futuro pode aliviar.

  • Evite decidir só pelo “dividend yield do mês”.
  • Prefira analisar qualidade do portfólio e indexadores, além do risco de vacância.

Dólar: o diferencial de juros pesa, mas não manda sozinho

Quando o Brasil paga juros altos, o real pode se beneficiar. Entretanto, fiscal, risco global e commodities podem inverter o fluxo rapidamente.

  • Se o Copom indicar “pausa longa”, o diferencial pode sustentar o real, porém o fiscal ainda conta muito. Reuters

Checklist de 10 minutos para toda reunião do Copom

  1. Defina seu objetivo: reserva, curto, médio ou longo prazo.
  2. Confira a data do Copom e marque a terça seguinte (ata 8h). InfoMoney+1
  3. Identifique o consenso do mercado (subir, manter ou cortar).
  4. Avalie a curva de juros: onde está o “medo” e onde está a “esperança”.
  5. Leia o comunicado buscando o tom, não só a taxa.
  6. Revise risco: alavancagem, liquidez e concentração.
  7. Ajuste pequenos percentuais, se necessário; evite “all-in”.
  8. Releia tudo na ata, porque o mercado pode reinterpretar. InfoMoney+1

Conclusão

Organizar o Copom como “semana de juros” melhora sua tomada de decisão, porque você acompanha expectativa, comunicado e ata com método. Além disso, quando você conecta calendário, roteiro e objetivos, reduz o risco de comprar e vender no susto. Por fim, 2026 terá oito reuniões bem distribuídas, então dá para planejar com antecedência e usar cada Copom como ponto de revisão da carteira. CNN Brasil+1

Ao longo do texto, eu usei as datas e a regra de publicação da ata conforme divulgado por veículos que reproduzem o calendário informado pelo Banco Central. CNN Brasil+1

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