Como comparar bancos digitais: rendimento, risco, liquidez e garantias

Escolher “o banco digital que rende mais” parece simples. Porém, na prática, rendimento é só uma parte da decisão. Além […]

Escolher “o banco digital que rende mais” parece simples. Porém, na prática, rendimento é só uma parte da decisão. Além disso, as regras de liquidez, o tipo de instituição (banco vs. conta de pagamento) e a existência — ou não — de garantia do FGC mudam completamente o risco do seu dinheiro. Banco Central do Brasil+1

A seguir, você vai comparar bancos digitais com um método objetivo, usando quatro pilares: rendimento, risco, liquidez e garantias.

Pilar 1 — Rendimento: não olhe só o “% do CDI”

Muitos apps anunciam “100% do CDI”, “102%”, “105%” ou mais. Entretanto, o que importa é onde o dinheiro está rendendo: no saldo da conta, em um CDB/RDB, em um fundo, ou em algum produto com regras próprias.

Portanto, antes de comparar números, responda a estas perguntas:

  • O rendimento é automático no saldo ou exige aplicar em um produto?
  • Existe carência (ex.: só rende após X dias) ou rendimento diário?
  • O % do CDI é fixo ou é campanha/promocional por tempo limitado?

Além disso, lembre que “render mais” pode custar liquidez ou risco. Assim, o melhor banco para reserva de emergência raramente é o mesmo “campeão de % do CDI” do marketing.

Pilar 2 — Risco: banco, fintech e “conta de pagamento” não são a mesma coisa

Aqui está o ponto que muita gente ignora: nem toda conta digital é conta bancária.

Segundo o Banco Central, recursos mantidos em conta de pagamento não são protegidos pelo FGC. Por outro lado, esses recursos seguem regras próprias (como segregação patrimonial) previstas na Lei 12.865/2013 e na regulação do setor. Banco Central do Brasil

Logo, a comparação correta começa identificando o tipo de instituição e o tipo de produto:

  • Se é banco/instituição financeira e você aplica em produtos elegíveis, pode existir FGC.
  • Se é instituição de pagamento e você deixa no saldo, em geral não há FGC.

Além disso, mesmo quando existe FGC, ainda há risco operacional (atrasos, processos, cadastros) e risco de concentração (muito dinheiro em um único emissor).

Pilar 3 — Liquidez: quando você realmente consegue sacar?

Liquidez não é “consigo pedir o resgate no app”. Liquidez é tempo e certeza de virar dinheiro na sua conta:

  • D+0 (mesmo dia): típico de saldo disponível e alguns produtos sem carência.
  • D+1/D+2: comum em aplicações que têm janela de resgate ou compensação.
  • Com carência: você pode ver “rendendo bem”, porém fica travado por um período.

Portanto, para objetivos diferentes, a escolha muda:

  • Reserva de emergência: priorize D+0, simplicidade e baixo risco.
  • Dinheiro do mês: precisa liquidez alta e previsibilidade.
  • Objetivos de 6 a 24 meses: você pode aceitar alguma restrição, desde que seja consciente.

Pilar 4 — Garantias: o que o FGC cobre (e o que não cobre)

O FGC é um mecanismo privado de proteção a depositantes e investidores de varejo. Ele cobre até R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por instituição ou conglomerado, e existe também o teto global de R$ 1 milhão por CPF/CNPJ em um período de 4 anos (para casos de múltiplas quebras no período). FGC

Além disso, o Banco Central lista quais depósitos e investimentos são garantidos e quais não são. Em linhas gerais, produtos como depósitos a prazo e instrumentos típicos de captação bancária podem ser elegíveis, enquanto vários outros tipos de investimento não entram nessa proteção. Banco Central do Brasil+1

Entretanto, atenção ao detalhe mais importante: FGC não é “garantia do app”. A garantia depende do emissor e do produto, e não do layout bonito do aplicativo.

Checklist rápido: como comparar dois bancos digitais sem se enganar

Use este roteiro sempre que for decidir para onde vai o dinheiro:

  1. Identifique o tipo de conta
    Se for conta de pagamento, em regra não há FGC no saldo. Banco Central do Brasil
  2. Descubra o “veículo” do rendimento
    É saldo remunerado? É CDB/RDB? É fundo?
    Além disso, confirme se há carência e regras de resgate.
  3. Confirme se há cobertura do FGC (quando aplicável)
    Verifique o produto e respeite os limites: R$ 250 mil por instituição/conglomerado e teto de R$ 1 milhão/4 anos. FGC+1
  4. Compare liquidez com seu objetivo
    Reserva pede liquidez imediata. Entretanto, metas mais longas aceitam travas, se o retorno compensar.
  5. Evite concentração
    Mesmo com FGC, distribuir por emissores pode reduzir risco prático em cenários de estresse.

Comparação prática: “rende mais” pode ser pior para você

Se você quer segurança e simplicidade, normalmente vale mais:

  • Um banco/produto com regras claras,
  • Liquidez adequada ao seu uso,
  • E, quando for o caso, cobertura de FGC dentro dos limites.

Por outro lado, se você está perseguindo 2% a mais do CDI, mas assume carência, risco do tipo de conta, ou falta de garantia, o “ganho” pode virar dor de cabeça. Portanto, o melhor comparativo é o que considera o seu objetivo, e não só o ranking do mês.

Conclusão

Comparar bancos digitais de forma inteligente exige olhar além do percentual do CDI. Além disso, quando você separa a análise em rendimento, risco, liquidez e garantias, fica muito mais fácil evitar pegadinhas e escolher o lugar certo para cada tipo de dinheiro. Por fim, trate o FGC como um componente importante, porém não como desculpa para ignorar concentração, carência e o tipo de instituição onde seu saldo está parado. Banco Central do Brasil+2FGC+2

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