Muita gente compra ações “pelos dividendos” achando que isso é renda fácil. Porém, dividendos são apenas uma forma de distribuir parte do lucro ao acionista, e não um atalho garantido para ganhar dinheiro. Além disso, avaliar dividendos do jeito certo exige olhar lucro, caixa, política de distribuição e sustentabilidade — e não só o “dividend yield” do aplicativo. Bora Investir+1
Mito 1: “Dividendos são dinheiro grátis”
Na prática, dividendo é dinheiro que sai do caixa da empresa e vai para você, então o valor econômico não surge do nada. Assim, na data “ex” (ex-dividendo), quem compra a ação passa a não ter direito ao provento anunciado, e o preço tende a refletir esse ajuste. Bora Investir+1
Portanto, “ganhar no dividendo” e “perder na cotação” no dia seguinte não é necessariamente azar: é o mercado precificando o evento.
Mito 2: “Dividend yield alto = ação barata e boa”
Dividend yield (DY) é só uma fração: provento pago ÷ preço da ação. Entretanto, o DY pode subir por um motivo ruim: o preço despencou porque o mercado teme queda de lucro, aumento de dívida ou piora do negócio.
Além disso, DY alto frequentemente vem de evento não recorrente (venda de ativo, distribuição extraordinária, ciclo de commodities). Assim, você pode comprar atraído pelo número e descobrir depois que ele não se repete.
Mito 3: “Empresa boa paga dividendos sempre e com frequência fixa”
Nem toda empresa madura paga “todo mês”, e isso não é defeito. Porém, a frequência de proventos depende de política, setor, ciclo de investimentos e governança, e a B3 publica os eventos corporativos justamente para acompanhar isso de forma oficial. B3+1
Ainda mais importante: em vários casos, reinvestir lucros pode gerar crescimento e, consequentemente, mais valor ao acionista no futuro, mesmo com dividendos menores no presente.
Mito 4: “Dividendo obrigatório é sempre 25%”
A Lei das S.A. trata do dividendo obrigatório, porém o percentual depende do estatuto e das regras aplicáveis — e o tema é mais jurídico/societário do que “regra fixa de mercado”. Planalto
Portanto, quando alguém diz “toda empresa tem que pagar 25%”, desconfie: o que manda é a combinação entre lei, estatuto e deliberações societárias.
Mito 5: “JCP e dividendos são a mesma coisa”
Ambos são proventos, porém não são equivalentes.
- Dividendos: historicamente, no Brasil, tiveram tratamento de isenção na pessoa física, mas a regra muda a partir de 2026 para valores elevados, conforme a Lei nº 15.270/2025 e materiais explicativos da Receita. Planalto+1
- JCP (juros sobre capital próprio): é um mecanismo previsto na legislação tributária, com incidência de IRRF na fonte e regras próprias. Serviços e Informações do Brasil+1
Além disso, há mudanças legislativas em discussão/aprovação sobre a alíquota do IRRF do JCP, então é prudente acompanhar o status legal antes de projetar retornos líquidos. InfoMoney+2Senado Federal+2
Verdade útil: o que importa é “dividendo sustentável”
Em vez de caçar o maior DY, use um filtro simples e prático. Assim, você evita as ciladas mais comuns:
- O lucro é recorrente? (evite confundir “pico” com normalidade)
- O caixa acompanha o lucro? (lucro contábil sem caixa costuma decepcionar)
- O payout faz sentido? (payout alto demais pode ser insustentável)
- A dívida está controlada? (empresa alavancada fica vulnerável)
- O setor exige muito investimento? (capex alto compete com dividendos)
- A política de proventos é clara no RI? (consistência importa)
- Qual é o retorno total? (dividendos + valorização, não só um pedaço da história)
Por fim, para checar datas e condições (“com” e “ex”), use sempre as informações oficiais do evento, porque isso evita erro de compra “em cima da hora”. B3+1
Conclusão
Dividendos podem ser excelentes, porém não são mágica. Portanto, o investidor que avalia lucro, caixa, endividamento e previsibilidade tende a sofrer menos do que quem compra apenas pelo DY. Além disso, com mudanças tributárias relevantes entrando em vigor a partir de 2026 para alguns cenários, olhar o retorno líquido e sustentável ficou ainda mais importante. Planalto+2Serviços e Informações do Brasil+2


