Dólar caindo em 2026: o que explica e quem ganha/perde

O dólar começou 2026 em queda frente ao real, e isso chamou atenção porque ocorreu mesmo com o índice DXY […]

O dólar começou 2026 em queda frente ao real, e isso chamou atenção porque ocorreu mesmo com o índice DXY (força global do dólar) levemente em alta. Ainda assim, a leitura correta exige separar movimentos globais de fluxos locais.

O que aconteceu no primeiro pregão de 2026

Na sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, o dólar à vista caiu 1,16%, fechando em R$ 5,425, após oscilar entre R$ 5,416 e R$ 5,476, segundo a Exame. Exame
Além disso, a PTAX do Banco Central (referência usada em diversos contratos) registrou R$ 5,4372 na venda para 02/01. Banco Central do Brasil

Por que o dólar caiu: 5 explicações que fazem sentido

1) Virada de mês/ano reduz pressão de remessas

No fim de dezembro, é comum haver remessas de lucros e dividendos e ajustes de empresas, o que pode pressionar o câmbio. Entretanto, a Exame destaca que a queda foi intensificada por um movimento que começou com o encerramento dessas remessas. Exame

2) Ajuste de posições com liquidez menor

No início de janeiro, a liquidez tende a ser mais baixa por conta do calendário e da reabertura gradual dos mercados. Assim, ajustes técnicos e “reposicionamentos” costumam amplificar movimentos. CNN Brasil

3) Movimento não foi “só Brasil”, mas o real se destacou

A Exame observa que a valorização não foi exclusiva do real e apareceu também em pares emergentes. Exame
Por outro lado, a CNN Brasil registra que o real teve um dos melhores desempenhos entre moedas relevantes no dia. CNN Brasil

4) Selic alta mantém o “carrego” atrativo

Com a Selic em 15% (patamar elevado), o Brasil permanece atraente para estratégias de diferencial de juros, sobretudo quando o mercado está mais “calmo”. Além disso, o próprio debate sobre quando começam cortes (janeiro vs. março) entra no preço, porque muda a atratividade relativa do real. Reuters+1

5) Expectativa de “câmbio mais comportado” em janeiro

Segundo a Exame, há casas projetando janeiro com dólar por volta de R$ 5,40, salvo novas incertezas externas. Exame
Além disso, no Boletim Focus, o mercado projetava câmbio de R$ 5,50 no fim de 2026, o que mostra que uma queda no começo do ano não elimina a volatilidade ao longo do caminho. Agência Brasil+1

Quem ganha com dólar caindo

1) Quem vai comprar em dólar (ou tem custo em moeda forte)
Importadores, empresas com insumos dolarizados e quem paga softwares/serviços internacionais tende a respirar melhor. Assim, a pressão de custos pode cair, o que ajuda margens.

2) Consumidor, indiretamente, via inflação
Quando o câmbio alivia, alguns itens sensíveis ao dólar (combustíveis, componentes, eletrônicos e parte de alimentos) podem desacelerar reajustes. Portanto, o dólar mais baixo pode ser “anti-inflacionário”, ainda que não seja imediato.

3) Quem pretende viajar para fora
Passagens e hotéis nem sempre caem na mesma velocidade, porém a tendência é reduzir o “custo psicológico” de fechar gastos em moeda estrangeira.

Quem perde com dólar caindo

1) Exportadores (receita em dólar, custo em real)
Quando a empresa recebe em dólar e paga despesas em real, a queda do dólar pode reduzir receita em reais, principalmente se ela não estiver bem protegida por hedge.

2) Setores muito ligados a commodities (dependendo do cenário)
Se o dólar cai e as commodities não compensam, alguns segmentos podem perder tração. Entretanto, isso varia bastante com preço internacional e demanda.

3) Investidor que concentrou “proteção cambial” no topo
Se alguém comprou dólar apenas por medo, perto de picos, pode sentir perda temporária. Ainda assim, diversificação cambial continua válida, desde que seja percentual e objetivo, e não “aposta”.

O que fazer agora: 6 ações práticas

  1. Separe PTAX de dólar à vista antes de comparar números, porque contratos e notícias podem usar referências diferentes. Banco Central do Brasil+1
  2. Mapeie sua exposição cambial real (viagem, compras, assinaturas, insumos, renda).
  3. Evite “perseguir” o câmbio: em geral, entrar atrasado costuma custar caro.
  4. Se você é exportador/empreendedor, avalie hedge simples e recorrente, em vez de tentar acertar o melhor dia.
  5. Se você é investidor, trate dólar como diversificação, não como profecia.
  6. Acompanhe inflação e Copom, porque a narrativa de corte de juros pode acelerar ou mudar, afetando o diferencial de juros e o real. Reuters+1

Conclusão

O dólar caiu no começo de 2026 por uma combinação de fluxo local (remessas), ajuste técnico com baixa liquidez e diferencial de juros, enquanto o cenário global não explicava sozinho o movimento. Portanto, quem importa, consome itens dolarizados ou vai viajar tende a ganhar, porém exportadores e empresas com receita em dólar podem sentir pressão. Por fim, a melhor estratégia é decidir com base na sua exposição real ao câmbio e manter disciplina, porque o mercado pode virar rapidamente ao longo do ano. Agência Brasil+3Exame+3CNN Brasil+3

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