Por que o “frete grátis” nunca é grátis

“Frete grátis” é uma das frases mais poderosas do varejo online. Porém, na prática, alguém sempre paga a entrega. Assim, […]

“Frete grátis” é uma das frases mais poderosas do varejo online. Porém, na prática, alguém sempre paga a entrega. Assim, o “grátis” quase nunca significa custo zero; significa apenas que o custo foi embutido em algum lugar (preço, margem, mínimo de compra ou taxa).

1) Quem paga o frete quando ele é “grátis”

Existem só três possibilidades reais:

  1. Você paga no preço do produto
    O vendedor pode aumentar o preço do item para “absorver” a entrega. Portanto, o frete some da tela, mas aparece no total.
  2. Você paga ao comprar mais
    Muitas lojas exigem valor mínimo para liberar “frete grátis”. Assim, o cliente aumenta o carrinho e o frete é “pago” pela compra extra.
  3. O marketplace subsidia (e recupera depois)
    Algumas plataformas bancam parte do frete para ganhar volume. Entretanto, esse custo tende a voltar via comissões, taxas do seller, publicidade interna e, no fim, preço maior ao consumidor.

2) Os 5 “truques” mais comuns do frete grátis

Truque 1: preço do produto acima da média

Compare o mesmo item com e sem “frete grátis”. Além disso, compare em lojas diferentes. Em muitos casos, o produto “com frete grátis” custa mais e compensa exatamente a entrega.

Truque 2: valor mínimo do carrinho

“Frete grátis acima de R$ 199” parece benefício. Porém, se você estava comprando R$ 120, a regra te empurra a gastar mais. Assim, o frete vira gatilho de consumo.

Truque 3: prazo maior e logística mais barata

Frete grátis costuma vir com prazo mais longo. Logo, a entrega pode ser feita por modal mais barato, rota consolidada, ou com menor prioridade. Portanto, “grátis” muitas vezes é “mais lento”.

Truque 4: frete grátis só em itens de alta margem

O benefício aparece justamente onde a margem permite “absorver” custo logístico. Por isso, itens baratos e pesados raramente têm frete grátis de verdade.

Truque 5: cupom que troca frete por taxa

Às vezes o frete sai e entra “taxa de serviço”, “embalagem”, “proteção”, “prioridade”, ou o desconto vira condicionado. Assim, o custo muda de nome, mas não desaparece.

3) Como o frete entra no preço (mesmo quando você não vê)

O frete é custo logístico: embalagem, separação, armazenamento, transporte, última milha e, em alguns casos, devolução. Portanto, ele precisa estar em algum lugar para o negócio fechar.

Além disso, quando o consumidor responde fortemente ao “frete grátis”, o varejo ajusta o modelo: aumenta preço, aumenta ticket médio, ou reduz o benefício em itens que não suportam o custo. Ou seja, “grátis” é estratégia, não milagre.

4) Quando o frete grátis pode valer a pena (sim, às vezes vale)

Frete grátis pode ser ótimo quando:

  • você já compraria aqueles itens de qualquer forma (não aumentou o carrinho por impulso);
  • o preço final “produto + entrega” é realmente o menor;
  • o prazo atende sua necessidade;
  • não existe taxa escondida;
  • a política de troca/devolução não vai te custar caro depois.

Portanto, o critério certo não é “tem frete grátis?”. É: qual é o custo total entregue na minha porta?

5) Regra prática para nunca cair na armadilha

Use este mini-checklist:

  1. Compare total final (produto + frete) em 3 lojas.
  2. Verifique se o “grátis” exige mínimo ou combo.
  3. Cheque o prazo: às vezes o frete pago compensa por urgência.
  4. Olhe por taxas extras no checkout.
  5. Se a compra aumentou “só para ganhar frete”, você pagou o frete de outro jeito.

Conclusão

O “frete grátis” não é mentira, mas é linguagem de marketing. Assim, ele raramente significa custo zero; significa que a entrega foi subsidiada, embutida ou condicionada. Portanto, o que importa é o custo total e o que você precisou fazer para “ganhar” esse benefício.

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