Liquidação extrajudicial: o que acontece com seu dinheiro se um banco “quebra”?

Quando o Banco Central decreta liquidação extrajudicial, ele está tirando uma instituição do sistema de forma administrativa e organizada, interrompendo […]

Quando o Banco Central decreta liquidação extrajudicial, ele está tirando uma instituição do sistema de forma administrativa e organizada, interrompendo operações e iniciando um processo de apuração e pagamento conforme regras legais. Banco Central do Brasil+2Banco Central do Brasil+2
Além disso, o tema voltou aos holofotes em janeiro de 2026 com a liquidação da Will Financeira (Will Bank) e a suspensão de cartões pela Mastercard, segundo reportagens. Reuters+1

A seguir, você vai entender o passo a passo real do que tende a acontecer com contas, cartões, CDBs e outros investimentos, e, principalmente, o que fazer sem pânico.

1) Liquidação extrajudicial é “falência”? Não exatamente

A liquidação extrajudicial é um regime próprio para instituições financeiras, previsto em lei, no qual o Banco Central nomeia um liquidante com poderes para administrar e liquidar a instituição. Planalto+2Portal da Câmara dos Deputados+2
Ou seja, na prática, o objetivo é parar a operação e organizar a saída do mercado, evitando que o problema se espalhe. Banco Central do Brasil+1

2) O que muda “na hora” para o cliente

Em geral, quando sai o ato de liquidação:

  • Operações são interrompidas (novas transações e concessões param). Banco Central do Brasil+1
  • Cartões e meios de pagamento podem ser suspensos por questões operacionais e de liquidação financeira (como ocorreu no caso noticiado do Will). Reuters
  • Acesso a app/contas pode ficar instável ou restrito, enquanto a instituição e o liquidante consolidam dados e procedimentos. Agência Brasil+1

Portanto, mesmo que você “enxergue saldo”, isso não significa que conseguirá movimentar imediatamente.

3) E o meu dinheiro? Depende do produto

Aqui é onde muita gente se confunde, então vamos direto ao ponto.

a) Depósitos e investimentos cobertos pelo FGC

Se você tem produtos elegíveis ao FGC, há cobertura até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição ou conglomerado; além disso, existe um teto de R$ 1 milhão por CPF/CNPJ em um período de 4 anos, caso haja múltiplas liquidações no período. FGC+2FGC+2

Normalmente entram na cobertura (em termos gerais): CDB, RDB, LCI/LCA, poupança e alguns tipos de depósito, desde que emitidos por instituição associada e dentro das regras do FGC. FGC+1

Além disso, o FGC considera principal + rendimentos até a data do evento, respeitando o limite de cobertura. FGC

b) Valores acima do limite do FGC

Se o valor excede o teto do FGC, você vira credor no processo e entra na fila de pagamentos conforme a legislação e o andamento da liquidação. Planalto+2Banco Central do Brasil+2
Ou seja, pode receber, porém tende a ser mais demorado e depende do que for recuperado com a venda de ativos e cobrança de créditos.

c) CDB do Will Bank (exemplo prático do noticiário)

Como o assunto do Will Bank entrou entre os mais buscados, muita gente perguntou especificamente sobre CDB e saque; a cobertura segue a mesma lógica: FGC até R$ 250 mil, com regras de conglomerado e limite em 4 anos. Fast Company Brasil+2FGC+2

4) Como é o passo a passo do pagamento do FGC

De modo geral, o fluxo é assim:

  1. O Banco Central decreta a liquidação e nomeia o liquidante. Planalto+1
  2. Em seguida, o liquidante consolida a base de clientes e posições, inclusive com apoio de registros/depósitos (ex.: registros de instrumentos). FGC
  3. Então, o FGC processa o pagamento conforme regras de elegibilidade e limite. FGC+1

Além disso, pode haver comunicação oficial com orientações e canais dedicados, como ocorreu no caso público do Will. Agência Brasil+1

5) O que você deve fazer (e o que não deve)

Faça agora

  • Reúna comprovantes: extratos, notas de aplicação, informes e prints com data/hora.
  • Mapeie o conglomerado: se você tem produtos em empresas do mesmo grupo, some tudo para ver o risco de estourar o teto do FGC. FGC+1
  • Acompanhe comunicados oficiais do Banco Central/FGC e do liquidante, porque é ali que surgem prazos e instruções. Banco Central do Brasil+1

Evite

  • Cair em golpes: em eventos assim, aumentam contatos falsos pedindo senha, PIX “para liberar saque” ou links suspeitos.
  • Assumir que “250 mil por produto”: o limite é por CPF/CNPJ e por instituição/conglomerado, somando produtos cobertos. InfoMoney+1

6) “Mas por que isso acontece?” (contexto rápido)

As causas variam, porém o Banco Central costuma apontar fatores como insolvência, piora financeira, descumprimentos e conflitos de interesse, além de problemas de liquidez. Reuters+2Banco Central do Brasil+2
No caso noticiado do Will, houve menção a deterioração financeira e a temas operacionais de liquidação com a bandeira, além de tentativas frustradas de solução de mercado. Reuters+1

Conclusão

Liquidação extrajudicial não é “o fim do mundo”, porém é um evento sério: primeiro, a instituição para; depois, os dados são consolidados; e, por fim, o FGC tende a pagar o que é coberto, respeitando limites e regras. Banco Central do Brasil+2FGC+2
Ainda assim, se você excede o teto do FGC, entra como credor e depende do andamento do processo, o que pode levar tempo. Planalto+1
Portanto, o melhor “antídoto” é prevenção: diversificar entre instituições, controlar limite por conglomerado e guardar documentação.

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