Com a Selic mantida em 15% a.a. na reunião de 10/12/2025, a renda fixa voltou a entregar um carrego muito competitivo no Brasil. Agência Brasil+1
Ao mesmo tempo, porém, aparece a decisão prática: travar taxa agora (alongar prazo) ou seguir no pós-fixado e aproveitar o patamar elevado enquanto ele durar.
A resposta mais consistente é montar uma estratégia por objetivo e prazo, e não por “aposta” no próximo Copom.
Pós-fixado vs alongar prazo: o que muda, de verdade
Pós-fixado acompanha a taxa (CDI/Selic) ao longo do tempo. Em geral, isso inclui Tesouro Selic e CDB/LCI/LCA atrelados ao CDI.
Alongar prazo significa comprar títulos em que você “trava” uma remuneração hoje, como prefixados e IPCA+. Por outro lado, esses títulos podem oscilar no extrato por causa da marcação a mercado, principalmente nos prazos longos. Tesouro Direto+2BTG Content+2
O cenário atual, sem chute: onde está o risco
A Selic alta costuma permanecer quando o Banco Central avalia que ainda precisa garantir a convergência da inflação para a meta. Agência Brasil+1
Além disso, desde janeiro de 2025, o Brasil opera com meta contínua de inflação (inflação em 12 meses observada mês a mês), o que muda a lógica de “descumprimento” e de comunicação do regime. Banco Central
Dessa forma, você lida com dois riscos principais:
- Risco de reinvestimento (pós-fixado): se os juros caírem no futuro, você vai reaplicar a taxas menores.
- Risco de preço (títulos longos): se a curva abrir, o preço do prefixado/IPCA+ pode cair antes do vencimento. BTG Content+1
Quando o pós-fixado é a escolha mais eficiente
Para a maioria das pessoas, o pós-fixado domina quando:
- A liquidez é prioridade (reserva de emergência e caixa tático). Nesse caso, a previsibilidade do Tesouro Selic costuma pesar mais do que tentar “ganhar no detalhe”. Tesouro Direto
- O horizonte é curto (até 24 meses). Assim, você reduz a chance de ter de vender um papel com marcação negativa. Bora Investir
- Você sabe que pode precisar do dinheiro. Portanto, evitar volatilidade no extrato vira parte do retorno ajustado ao risco.
Quando alongar prazo faz sentido (e quando não faz)
Alongar pode ser uma boa decisão quando o dinheiro tem prazo longo e função clara na carteira.
- Para preservar poder de compra, o IPCA+ é uma ferramenta natural, porque busca retorno real acima da inflação. Tesouro Direto
- Para capturar uma eventual queda de juros, o prefixado pode ajudar, já que títulos travados tendem a se valorizar quando a taxa de mercado cai. BTG Content
- Para objetivos datados (faculdade, aposentadoria, projetos em 5–10 anos), o vencimento alinhado reduz a chance de “ser obrigado” a vender no pior momento.
Em contrapartida, alongar “no escuro” costuma dar ruim: se você não tolera ver oscilações, a marcação a mercado vira um gatilho emocional de venda. BTG Content+1
O erro que derruba muita gente: confundir oscilação com prejuízo
Marcação a mercado é o mecanismo que atualiza diariamente o preço do título conforme as condições de juros. Bora Investir
Quando a taxa exigida pelo mercado sobe, o preço cai; quando a taxa cai, o preço sobe. BTG Content
Consequentemente, quem pretende levar ao vencimento precisa focar mais na taxa contratada e no prazo, e menos no “vai e vem” do extrato. Ainda assim, se houver chance real de venda antecipada, o risco não é teórico: ele é financeiro.
Método simples em 3 perguntas (para decidir sem arrependimento)
1) Quando você vai usar o dinheiro?
- Até 24 meses: tendência forte para pós-fixado.
- Acima de 36 meses: dá para combinar com alongamento, desde que o vencimento faça sentido.
2) Você aceitaria ver -3% a -7% temporário no extrato sem vender?
Se a resposta for “não”, então reduza prazos e priorize pós-fixado. BTG Content+1
3) Seu maior medo é qual?
- “Reinvestir pior depois”: alongar uma parte ajuda.
- “Precisar do dinheiro no meio”: pós-fixado protege.
Estratégia prática: barra (barbell) para diminuir risco de decisão errada
Em vez de escolher “um ou outro”, muita gente melhora o resultado com dois blocos:
- Bloco A (liquidez e estabilidade): pós-fixado para reserva e oportunidades.
- Bloco B (taxa travada): uma parcela em prefixado/IPCA+ com vencimentos alinhados ao seu horizonte.
Assim, você aproveita o carrego da Selic alta agora. Agência Brasil+1
Ao mesmo tempo, entretanto, você não fica 100% exposto ao risco de reinvestir a taxas menores se o ciclo virar.
Conclusão
Selic em 15% torna o pós-fixado excelente para liquidez e curto prazo. Agência Brasil+1
Ainda assim, alongar uma parcela pode ser racional para objetivos longos, desde que você aceite marcação a mercado e alinhe vencimentos. BTG Content+1
Portanto, a melhor resposta costuma ser uma alocação por prazos, com “barra” entre segurança e taxa travada. Por fim, o investidor que decide por método tende a errar menos do que o investidor que decide por manchete.


